Agrotóxicos
em Lucas do rio verde MT
Há cinco anos, Lucas do Rio Verde, município de Mato Grosso, foi
vítima de um acidente ampliado de contaminação tóxica por pulverização aérea.
Wanderlei Pignati, médico e doutor na área de toxicologia, fez parte da equipe
de perícia no local. Apesar de inconclusiva, ela revelava índices preocupantes
de contaminação.
O projeto de pesquisa coordenado por Pignati tem o compromisso
de levar às populações afetadas os dados levantados e os
diagnósticos. Para ele, é fundamental promover um movimento social de
vigilância sanitária e ambiental que envolva não só entidades do governo, mas a
sociedade civil organizada e participativa.
Diferentemente da União Européia, aqui a legislação não acompanha
a produção de conhecimento científico acerca do tema. Segundo Pignati, a
legislação nacional, permissiva demais, limita a poluição das indústrias
urbanas e rurais, enquanto paralelamente a legaliza.
As portarias de potabilidade da água,
por exemplo, ampliaram cada vez mais o limite de resíduos tóxicos na água que
bebemos. E na revisão da portaria que está prestes a acontecer, pretende-se
ampliar ainda mais.
Pignati condena a campanha nacional em prol do
álcool e do biodiesel, energias que considera altamente prejudiciais e
poluentes para o país que as produz: “Se engendrou toda uma campanha para dizer
que o biodiesel viria da mamona, do girassol, de produtos que incentivariam a
agricultura familiar, mas é mentira, vem quase tudo do óleo de soja”.
Assim como a pesquisadora
cearense Raquel RigottoPignati também questiona a
confiabilidade do “uso seguro dos agrotóxicos”, um aparato de
normas e procedimentos que mesmo se contasse com estrutura para seu
funcionamento ideal, ainda assim não garantiria o manejo absolutamente seguro
dos venenos.
Para Pignati, a falta de investimento na
vigilância à saúde e ao ambiente no Brasil é uma questão de prioridade: “Tem muito
dinheiro para vigilância, mas não para o homem. Existe um verdadeiro SUS que
cuida de soja e gado, produtos para exportação”.
Na safra de 2009 pra 2010, Mato Grosso usou 105 milhões de litros
de agrotóxico. O Brasil usou 900 milhões, quase 1 bilhão de litros de
agrotóxicos. É o maior consumidor do mundo. E Lucas do Rio Verde usou 5 milhões
em 2009. Aonde vai parar esse volume todo? É isso o que temos pesquisado.
Estudamos a contaminação das águas e
para isso a gente trabalha com bacias. No Mato Grosso, você tem várias bacias.
A bacia do Pantanal, que é do rio Paraguai e nasce aqui no estado. Tem a bacia
do Araguaia, uma de suas grandes nascentes é o rio Morto, aqui em Campo Verde.
E a bacia do Amazonas em Lucas do Rio Verde, cujas nascentes são os rios Verde
e Teles Pires.
Portanto, quando você mexe com
agrotóxico e fertilizante químico no Mato Grosso, está mexendo com as três
grandes bacias do Brasil: a do Araguaia, a Amazônica e a do Pantanal. A bacia
do Pantanal é uma questão mais séria ainda porque ela vai atingir outros
países, como Paraguai, Argentina e Uruguai. Tem três grandes bacias e três
biomas no estado: o pantanal, o cerrado e a floresta.
Em Lucas do Rio Verde, em 2006, houve
um acidente agudo que saiu na mídia. Na mídia daqui, saiu pouco porque é muito
comprometida com quem a paga, que na época era o governador Blairo Maggi. Ele
tem a mídia sob controle. Na época, estavam dissecando soja em torno das
plantações, que se estendem até a beira da cidade. Planta-se e
pulveriza-se com trator ou com avião. Em Lucas, pulverizava-se a soja
transgênica, que é muito pior para o ambiente do que a soja normal.
Fonte. http://www.viomundo.com.br
Parabéns Gregorio pela iniciativa de postar um excelente trabalho de pesquisa do Dr. Pignatti e sua equipe de pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso.
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