Baleia orca
Têm uma vida
social complexa, baseada na formação e manutenção de grupos familiares
extensos. Comunicam-se através de sons e costumam viajar em formações que
assomam ocasionalmente à superfície. A primeira descrição da espécie foi feita
porPlínio, o Velho o qual já a descrevia como um monstro
marítimo feroz.
O nome orca foi dado a estes animais pelos
antigos romanos do nome "Orcus", que
significa inferno ou deus da morte, e o nome do seu género biológico - "Orcinus" - significa
"do reino da morte" (ver Orcus). A partir da década de 60, quando ganharam
popularidade entre os espectadores de oceanários, o termo neutro
"orca" foi mais utilizado do que "baleia assassina", o qual
conota um comportamento incompatível com objetivo desses parques.
Distribuição geográfica
Distribuição geográfica
A orca é o segundo mamífero com maior área de distribuição geográfica no
planeta, logo a seguir ao ser humano. Encontram-se em todos os oceanos e na
maior parte dos mares, incluindo (o que é raro, para os cetáceos) o mar
Mediterrâneo e o mar da Arábia. As águas
mais frias das regiões temperadas e das regiões polares são, contudo,
preferidas. Ainda que se encontrem por vezes em águas profundas, as áreas costeiras
são geralmente preferidas aos ambientes pelágicos.
Existem populações de orcas particularmente
concentradas na zona nordeste daBacia do Pacífico, onde o Canadá faz
curva com o Alasca, ao longo da costa daIslândia e na costa setentrional da Noruega.
São frequentemente avistadas nas águasantárcticas, acima do
limite das calotas polares. De facto, crê-se que se aventuram abaixo da calota
de gelo, sobrevivendo apenas com o ar presente em bolsas de ar situadas abaixo
do gelo, tal como faz a beluga. No Ártico, contudo, a espécie é raramente
avistada no inverno, não se aproximando da calota polar, visitando estas águas
apenas no verão.
A informação sobre outras regiões é escassa.
Não existe uma estimativa para a população global total. Estimativas locais
indicam cerca de 70 a 80 000 na Antárctida; 8 000 no Pacífico tropical (ainda
que as águas tropicais não sejam o ambiente preferido destes animais, a grande
dimensão desta área oceânica - 19 milhões de quilómetros quadrados - significa
que poderão aí viver milhares de orcas); cerca de 2 000 junto ao Japão; 1 500 nas águas mais frias do nordeste
do Pacífico e 1 500 junto à Noruega. Se juntarmos os dados de estimativas
menos precisas sobre áreas menos investigadas, a população total poderá
ascender aos 100 00
Alimentação
As orcas utilizam na sua alimentação uma
grande diversidade de presas diferentes. Populações específicas têm tendência a
especializar-se em presas específicas, mesmo com o prejuízo de ignorarem outras
presas em potencial. Por exemplo, algumas populações do mar da Noruega e da Groenlândia são especializadas noarenque, seguindo as rotas migratórias deste
peixe até à costa norueguesa, em cada outono. Outras populações preferem caçar focas.
A orca sendo da
família dos golfinhos é o único cetáceo que caça regularmente outros cetáceos.
Há registos de vinte e duas espécies de cetáceos caçadas por orcas, seja pelo
exame do conteúdo do estômago, seja pela observação das cicatrizes no corpo de
outros cetáceos ou, simplesmente, pela observação do seu comportamento
alimentar. Grupos de orcas chegaram mesmo a atacar baleias comuns, baleias-de-minke, baleias-cinzentas ou, mesmo, jovens baleias-azuis. Neste último
caso, os grupos de orcas perseguem a cria de baleia azul, em conjunto com a sua
mãe, até ao esgotamento de ambas. Por vezes conseguem separar o par. De
seguida, rodeiam a jovem baleia, impedindo-a de subir à superfície onde esta
precisa de tomar ar para respirar. Assim que a cria morre afogada, as orcas
podem alimentar-se sem problemas.
Há também um caso registado de provável canibalismo. Um estudo
levado a cabo por V. I. Shevchenko nas
áreas temperadas do Sul do Pacífico em 1975 registou
a existência de restos de outras orcas no estômago de dois machos. Das 30 orcas
capturadas e examinadas nesta pesquisa, 11 tinham o estômago completamente
vazio. Uma percentagem invulgarmente alta que indicia que o canibalismo foi
forçado, devido à falta extrema de alimento.
Tal como os outros golfinhos, as
orcas são animais com um comportamento vocal complexo. Produzem uma grande
variedade de estalidos e assobios usados emcomunicação e ecolocalização. Os
tipos de vocalização variam com o tipo de atividade. Naturalmente que, enquanto
descansam, emitem menos sons, ainda que façam ocasionalmente um chamamento bem
distinto daqueles que usam num comportamento mais ativo.Os grupos sedentários têm uma
maior tendência para a vocalização que os grupos nômades. Os cientistas indicam
duas razões principais para este fato. Em primeiro lugar, as orcas residentes
mantêm-se no mesmo grupo social por muito mais tempo, desenvolvendo, assim,
relações sociais mais complexas - o que implica também um maior desenvolvimento
local e uma maior partilha de sons próprios do grupo. Os grupos nômades, como
ficam juntos por períodos mais passageiros (algumas horas ou dias), comunicam
também menos. Em segundo lugar, as orcas nômades têm maior tendência para se
alimentarem de mamíferos, ao contrário das orcas residentes, que preferem
peixes. As orcas predadoras de mamíferos necessitam, naturalmente, de passar
despercebidas pelos animais que pretendem apanhar de surpresa. Usam por isso,
apenas estalidos isolados (o chamado "estalido críptico") para
ecolocalização, em vez da longa série de estalidos observada noutras espécies.

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